May 4th, 2013

Não entendo a rejeição que muitos têm ao Cirque du Soleil: a empresa estabeleceu novos parâmetros de excelência e qualidade em apresentações, reinventou o circo - uma instituição existente desde a Idade Média e que faz parte da memória de todas as crianças - e ainda trouxeram o roteiro teatral para as apresentações circenses. Sei que hoje eles são ‘mainstream’, mas começaram como artistas mambembes que se apresentavam no meio da rua no Canadá e fora a fenomenal estrutura, não vejo como se tivessem renegado suas origens.

May 3rd, 2013

Pela terceira semana seguida os professores do Estado vão fechar a avenida Paulista em plena sexta-feira para protestar por melhores salários. A reivindicação é justa, o Estado, o mais rico da nação, paga um dos piores salários para a categoria no país e já enfrenta déficit de mais de 30% dos profissionais. Em resumo: ninguém quer mais ser professor, os cursos universitários que formam licenciaturas estão fechando por falta de procura, estamos à beira de um apagão na educação. Porém, devemos questionar se é válido atrapalhar a vida dos outros para reivindicar seus direitos. Óbvio que clamar por seus direitos é lícito e um exercício de cidadania. Mas o exercício de cidadania também se faz pensando na coletividade e está na hora de abandonar este velho modelo que servia em época de comunicação precária onde não havia celular no bolso de cada um. Está na hora de protestos mais inteligentes, que angariem a simpatia da população, como, por exemplo: flashmobs. Tecnologicamente já estamos no século XXI, está na hora de abandonar a mentalidade pré-idade moderna.

April 29th, 2013

Nem mesmo com um mês de existência e o site BoicotaSP já gerou tanta polêmica que virou debate na TV Folha entre um de seus criadores e Olivier Anquier. tenho minhas reservas com o BoicotaSP porque muitos dos que participam confundem preço abusivo com não-tenho-grana-pra-pagar, porém reconheço a importância do site ao abrir o debate de que os preços em São Paulo estão extorsivos. E é somente através do debate e da transparência que o consumidor saberá qual casa cobra caro porque tem um serviço de excelência, qual casa cobra mesmo preços abusivos e até onde vai o lucro do empresário e onde está inserido o custo-Brasil (preço de frete e impostos). Não dá para parar esta discussão na frase corta-conversa de Anquier “vai e paga quem quer”, ora, se todo mundo cobrar caro simplesmente ninguém terá opção alguma de um lazer que é reconhecido até mesmo como turismo, o turismo gastromônico. O brasileiro está amadurecendo como consumidor e, claro, consumidores amadurecidos incomodam quem sempre lucrou com o rebanho conformado.

O BoicotaSP não gerou apenas polêmica, mas gerou um filhote muito interessante: o SPhonesta, cuja ideia para mim soa mais interessante, ao invés de reclamar de quem cobra caro, enaltecer quem pratica preço justo.

April 28th, 2013

Iron man 3 não é um ótimo filme, mas é um bom filme, que é garantia de diversão pr’um cineminha de final de semana. O roteiro surpreende: começa como se fosse mais um filme fazendo propaganda contra ameaça terrorista para dar uma guinada ao sugerir a questão de a quem interessa a guerra ao terror. E tem mais: o filme também mostra como descobertas e inventos de cientistas em busca de ciência pura e de impulsionar a humanidade para a frente pode servir a outros propósitos não igualmente nobres. Claro que tudo é bem subliminar, mas está lá se você prestar atenção.

March 24th, 2013

Conheço a escrita de Danuza Leão desde seu livro de etiqueta “na sala com Danuza”, que era divertido e dava de lavada em outros similares no mercado editorial. Assim, quando foi anunciada como colunista na Folha (jornal que assino há décadas, gosto, mas também reconheço seus defeitos) fiquei feliz, para depois descobrir que suas colunas não continham metade do charme e desprendimento de seu livro. Hoje em sua coluna na Folha, reclamando da chamada ‘PEC das empregadas’, Danuza soou reacionária e retrógrada. Primeiro porque ela quis discutir legislação trabalhista, que é assunto técnico, não é para não iniciados, ainda mais a seara trabalhista, que é um mundo à parte no universo do direito. Depois pelo uso do argumento de autoridade (vou falar do que conheço, implicando que o leitor não conhece). Danuza descreve a diferença da natureza das habitações de empregados na França e no Brasil ignorando completamente que enquanto por lá esta diferença se origina na separação que havia entre nobres e a plebe que os serviam, aqui o ‘quarto de empregada’ (como a porta da cozinha) é resquício da casa grande e senzala. Por fim, ela escreve na tentativa de defender um privilégio, alega que empregadas ficarão desempregadas, ora, mas ocorre justamente o contrário atualmente: não há empregadas domésticas disponíveis no mercado (PNAD/IBGE mostra que há mais mulheres trabalhando no comércio do que em lares). Danuza chama França e Estados Unidos de ‘países mais civilizados’, porém quando uma legislação surge para que nos tornemos tão civilizados quanto estes países ela usa sua coluna como palanque para dizer que a diferença é boa. A exclusão de um grupo de pessoas da proteção legal não é boa, nunca. Se queremos um país moderno, teremos que arcar com mudanças sociais. Porém quando estas mudanças rumo a civilidade e modernidade atacam o bolso parece que não são tão bem vindas assim.

March 8th, 2013

A condenação do goleiro Bruno pela morte de Eliza Samudio nesta madrugada (8 de março), dia internacional da mulher, não deixa de ser uma homenagem à data. Alguns vão dizer “ah, mas foi homicídio e homens também são assassinados”. Sim, homens são assassinados, mas não por serem homens, não porque estão atrapalhando a vida da (ex-)parceira ou porque a abandonaram. É importante diferenciar crimes contra a vida e patrimoniais aos quais qualquer um está sujeito, de crimes contra a mulher, que são crimes cometidos porque homens se acham no direito de fazê-lo para lavar sua honra e outras desculpas idiotas.

E hoje, para marcar a falta de respeito que existe com mulheres, há uma tentativa de infantilizar a data: mulheres ganham parabéns, flores, bombons. Não é uma data de comemoração, mas de conscientização, que só será comemorada quando não existir mais.

February 18th, 2013

Quem convive com gatos sabe como eles são companhias peculiares: quietos, atentos, a maior parte do tempo discretos e com um comportamento muito subliminar, que os incautos interpretam como indiferença. Cada gato tem uma personalidade só sua: cada um gosta de um tipo de carinho, tem seus lugares preferidos para dormir e gostam de brinquedos e brincadeiras diferentes. São seres maravilhosos e companhias explêndidas, não à toa a lista de escritores apaixonados por gatos é infindável. E mesmo quando são de raça, eles ainda tem comportamento diferente, pois uma das coisas que se espera de qualquer raça de animais é que eles não apenas tenham uma mesma aparência, mas um certo comportamento. Pois com gatos nem sempre isto é verdade. Vou dar um exemplo: o Miró é um ragdoll e tem o temperamento de um ragdoll (uma pessoa preferida, que é minha mãe; solta o corpo quando é pego no colo e é dócil). Dizem que o temperamento do ragdoll foi ‘construído’ com o cruzamento de persas e angorás, porém, estes cruzamentos não dão tão certo sempre: a Rosinha é filha de um persa (o Edu) com uma angorá (a Artie, que encontramos na rua, mas tem todas as características físicas de um angorá turquesa) e não existe um gato com temperamento mais diferente de um ragdoll neste planeta que a Rosinha.

February 16th, 2013

Há três coisas que eu valorizo sobremaneira em minhas relações, sejam elas pessoais ou de trabalho, de amor ou amizade, que são: pedir ‘por favor’ quando solicitar algo, agradecer e se desculpar. E não, não existe aquela história de ‘meu tom já era de ‘por favor’, isto não existe, existe um vocativo. Então, por favor, gente, não custa nada pedir ‘por favor’, com o tom certo e com o sorriso chegando aos olhos porque ninguém é obrigada. Ninguém, nem mesmo quem ganha para limpar sua bagunça. E creio que a maioria das pessoas enxerga a gratidão como Tácito “a gratidão é um fardo enquanto a vingança é um prazer” e sua frase não contradiz em nada o que Esopo disse 7 séculos antes “que a gratidão é um sinal das almas nobres”. Enfim, em geral não me recuso a fazer nada por ninguém se está dentro do meu alcance, porém a gratidão percebida será a medida para próximos favores. E, por último, pedido de desculpas. Há pessoas que acham que ser maduro é morar sozinho, pagar as próprias contas, ganhar seu próprio dinheiro; mas se a lógica para se medir maturidade é esta então Neymar, Tiger Woods, Sebastian Vettel e outras estrelas do esporte são as pessoas mais maduras do planeta. O que separa os adultos das crianças é saber que os outros tem anseios, desejos e medos próprios, que os outros não são extensões de nós mesmos e que, mesmo sem querer, às vezes querendo, nós magoamos as pessoas e que o único modo de remendar o erro é com um sincero pedido de desculpas.

January 31st, 2013

De tempos em tempos aparece no facebook uma imagem com a pergunta “a criança que você foi teria orgulho do adulto que você é hoje?”. Em geral, a gente ignora esta pergunta ou responde que sim para não refletir muito à respeito. Óbvio que é uma pergunta matreira, primeiro porque crianças admiram herois e, depois, porque ser criança não é um momento, mas vários deles que se sobrepõe entre os 2 e 12 anos de idade. Mas vou enfrentar o desafio: a criança que fui sentiria orgulho do adulto que sou hoje? Acho que a criança que eu fui não gostaria da profissão que eu escolhi, para uma criança advogados e professores universitários são seres sem graça, ainda mais na área de Direito e seus livros sem figuras. Tenho certeza que a criança que eu fui preferiria que eu tivesse escolhido a criptozoologia ou exterminadora de zumbis. Porém acho que as reclamações parariam por ai. A criança que eu fui adoraria meus gatos, porque o primeiro gato que tive foi aos 8 anos (e ele me acompanhou até a faculdade); a criança que fui adoraria meu carro, que é um brinquedo para gente grande, um jipe; adoraria meus gadgets, principalmente meus dois videogames (um Wii e um Xbox) e, mais do que tudo, a criança que eu fui adoraria meus amigos, porque eles, assim como eu, são apenas crianças grandes. Então, sim, a criança que eu fui aprovaria a vida que levo hoje, não trai meus ideais, não vivo de sacanear ninguém, sou feliz e quando ponho a cabeça no travesseiro durmo o sono dos justos.

E quanto a você: a criança que você foi teria orgulho do adulto que você é hoje?

January 29th, 2013

São pessoas que se dizem crentes afirmando que os jovens mereceram morrer daquela forma por estarem em uma casa do diabo, é a ATEA questionando ‘onde está seu Deus agora?’, é uma garota do RS dizendo que a tragédia deveria ter acontecido no nordeste porque lá não há vida inteligente… tantos exemplos de falta de respeito com a dor alheia. Será que apenas a falsa sensação de anonimato na internet explica um verniz social tão ralo nestas pessoas? Quero crer que a indignação diante de todas estas manifestações demonstra que as pessoas são boas, que a esmagadora maioria é composta de gente do bem, que este tipo de gente é uma exceção que confirma a regra, mas que infelizmente é uma minoria bem barulhenta.

January 27th, 2013

Na última quinta-feira fiz curso de brigada de incêndio, foi o terceiro em quatro anos. É apenas um dia (meio-dia) em que são dadas aulas teóricas e práticas para o primeiro combate a um foco de incêndio. Aí hoje acordo para a notícia de mais de 200 mortes em uma casa noturna em Santa Maria, RS, e me pergunto porque no Brasil não se leva mais a sério a questão do treinamento para combate a incêndios. Porquê não treinar crianças em escolas sobre os riscos de incêndio, como dar o primeiro combate, mas por aqui impera a mentalidade de que se pensar em algo, atrai, então é melhor não pensar em incêndios. É melhor proibir completamente a venda de álcool líquido do que ensinar sobre os seus riscos (a anvisa proibiu a venda de álcool líquido a partir do próximo dia 1.º de fevereiro, porém a entidade dos fabricantes do produto conseguiram liminar na justiça). Educação é a solução ideal para todos os problemas sociais, econômicos e ambientais. Porém educação também custaria o lucro das empresas e o empregos dos políticos da velha guarda. Então mais fácil, para eles, convivermos com tragédias, afinal, elas são esquecidas rapidamente pela maioria das pessoas.

January 20th, 2013

Que a internet é um mar de informações todos sabemos, que é preciso tomar cuidado com a veracidade que se encontra, os mais cautelosos sabem. Porém, hoje fiquei surpresa em encontrar este poema de Sophia de Mello Breyner Andresen:

Terror de te amar Terror de te amar num sítio tao frágil como o mundo Mal de te amar neste lugar de imperfeiçao
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.


Da seguinte forma:

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.
Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti eu criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.


Os dois últimos parágrafos simplesmente não existem no poema original. Eu conferi um livro da poeta. E eu sei que as pessoas adulteram textos e poemas, dão autoria famosos a frases e textos, mas o que mais me chocou neste caso foi que a página que leva a esta versão é o primeiro resultado na busca do google.

January 2nd, 2013

Filmes adaptados de livros são comuns no cinema: desde dramalhões que viram um grande sucesso, como e o vento levou, como fracassos retumbantes; como a bússola de ouro, a trilogia de um filme só, para ficar com um único exemplo. Então não é surpresa que dois dos maiores lançamentos deste verão - a vida de Pi e a viagem - sejam filmes baseados em livros, mas o que surpreende é que estes livros jamais tenham chegado ao mercado brasileiro. Primeira e mais óbvia dedução é que o mercado editorial brasileiro é extremamente secundário, o que não causa espanto, haja vista a quantidade de livros vendidos por brasileiros por anos (míseros 3), porém há outro dado mais assombroso que aparece nesta história: como nenhum editor, sabendo antecipadamente que estes livros estavam sendo adaptados para o cinema não trataram de lançá-los por aqui? Ou seja, vendem-se poucos livros porque o brasileiro lê pouco e o brasileiro lê pouco porque poucos livros diferentes chegam às livrarias. Um círculo vicioso que, espera-se, o e-book ponha fim.

December 25th, 2012

O ano de 2012 foi implacável com os centenários mais famosos do Brasil e levou, em menos de um mês, Oscar Niemeyer, 104, e Dona Canô, 105 anos. É de se esperar que pessoas de tão avançada idade morram a qualquer momento, porém, ao menos para mim, elas ganham uma aura de imortalidade, de terem testemunhado tanta coisa, de terem sobrevivido quando tanto outros já padeceram que fico surpresa quando estes centenários, enfim, se vão.

December 17th, 2012

O Darwinismo ou seleção natural é a teoria que explica a evolução das espécies. E isto todo mundo sabe (ou deveria saber). Só que toda vez que revistas ou blogs não especializados vão descrever a seleção natural, eles a descrevem como se fosse lamarquismo. Vou explicar: para Darwin as espécies evoluíram através da seleção natural, isto é, os mais aptos a sobreviverem àquele meio naquele dado momento, não só sobreviveram como deixaram descendentes e, assim, o que era uma característica em um indivíduo ou em um pequeno grupo, com as novas gerações, tornou-se maioria. Existe o exemplo das mariposas na Inglaterra: antes da revolução industrial existiam mais mariposas claras, que se camuflavam melhor nas árvores, com a chegada da revolução industrial, os troncos das árvores ficaram escuros por causa da fuligem emitida pelas fábricas e as mariposas escuras tiveram mais chances de sobreviver e de procriar. Desta forma a base do darwinismo está não apenas na sobrevivência do indivíduo cuja modificação aleatória se adapta melhor ao meio, mas também em sua capacidade de deixar mais descendentes aptos àquele mesmo meio. Porém vira e mexe as explicações para a seleção natural são dadas como se fossem saídas das ideias de Lamarck, que explicava a evolução através da lei do uso ou desuso: se eu não uso um membro, ele atrofia e tende a desaparecer e esta característica seria passada para meus descendentes. É fácil negar Lamarck: um homem que raspe a cabeça sempre não terá filhos carecas, embora ele não use seus cabelos, uma pessoa que sofreu um acidente e ficou paraplégica não terá filhos sem mobilidade nas pernas. Parece óbvia a diferença não?! Mas vira e mexe me deparo com textos explicando a seleção natural usando argumentos lamarquistas, coisas como “os golfinhos voltaram para a água e desenvolveram nadadeiras no lugar dos braços”. Não, os golfinhos não desenvolveram nada, seus ancestrais saíram da terra e voltaram ao mar e aqueles que nasceram com nadadeiras deixaram descendentes enquanto os que ainda tinham membros terrestres não conseguiram perpetuar sua descendência.